
Estava no subsolo universal, a estrela! Nada fazia supor a rispidez com que mudaria o rumo de seu percurso. De seu tamanho pequeno, de tímido brilho resplandecente, mas de ambição desmesurada, a estrela havia delineado a estratégia que a levaria aos píncaros com que sonhava.
O subsolo universal em que habitava fazia parte da estratégia. Aí era a redoma que idealizava para cumprir o seu desígnio.
A função da sua redoma era mantê-la protegida para que seu percurso não fosse alvo de assaltos que a impedissem de chegar onde pretendia. Havia um pormenor: a redoma não era completamente isolada!
Certo dia surge um pirilampo que se instala junto ao habitat da estrela.
A estrela observa-o indagando sobre a razão da sua existência, mas continua sem grande alarido na sua vida a cumprir o que lhe competia.
O pirilampo brilhava, é certo, mas era só um pirilampo. Não era uma estrela! Não havia o que temer! ... era só um pirilampozito, mas brilhava muito: parecia uma estrela! Que mal havia em co-habitarem, uma pequena estrela e um pirilampo?!
A estrela continuava o seu dia-a-dia, mas não menos intrigada com a presença do pirilampo.
Ironia engraçada, a estrela que se julgava pirilampo mas ambicionava não sê-lo, percebeu que aquele pirilampo que se julgava estrela, não era mais do que o espelho que ela precisava para ver que afinal a estrela era ela. Foi essa a função do pririlampo ao invadir o habitat da estrela para que ela se visse e pudesse finalmente sair da redoma e cumprir o seu desígnio: iluminar o céu!
Foi o pirilampo que permitiu a brusca mudança de rumo, a necessária mudança de paradigma. Afinal o pirilampo sempre cumpriu o seu papel de estrela ao impelir a estrela a admitir para si própria que o é.
É importante não desvalorizar o papel de cada um.
--- Mendonça ---
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